Pfizer rejeita exigências do governo para vender vacinas de Covid-19 ao Brasil
Foto: REUTERS/Dado Ruvic

Pfizer rejeita exigências do governo para vender vacinas de Covid-19 ao Brasil

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A vacina da Pfizer, que acumulou notícias positivas na última semana, demonstrando eficácia com uma dose, redução de transmissibilidade da Covid-19 e temperatura de armazenamento, continua longe do Brasil. Nesta segunda-feira (22), a empresa informou que não aceita os termos impostos pelo governo brasileiro para realizar a venda.

Em reunião com senadores, a Pfizer informou que as cláusulas colocadas no contrato não são uma invenção da companhia, mas sim exigências comuns de várias farmacêuticas, seguindo um padrão internacional, como relata a jornalista Monica Bergamo em sua coluna na Folha de S. Paulo.

Os termos que causaram desconforto com o governo são fato de que a Pfizer quer a isenção de responsabilidade em caso de complicações por efeitos adversos da vacina se a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conceder a permissão de uso no país, seja por registro definitivo, seja apenas para uso emergencial.

Além disso, a companhia também exige que possíveis conflitos sejam resolvidos em uma Corte Arbitral em Nova York e que ativos do governo federal no exterior sejam usados como garantia de pagamento e que seja constituído um fundo garantidor com conta no exterior.

Atualmente, a vacina da Pfizer já está em amplo uso no mundo, e apenas Brasil, Argentina e Venezuela rejeitaram os termos na América Latina. Estados Unidos, Reino Unido, Israel e Emirados Árabes, que têm liderado os rankings de vacinação mais rápida, estão usando o composto da farmacêutica americana, com milhões de pessoas imunizadas sem a constatação de eventos preocupantes.

A vacina da Pfizer tem se demonstrado ainda mais promissora recentemente do que inicialmente foi anunciado. Estudos mais recentes demonstraram uma eficiência alta mesmo após uma única dose. Além disso, a empresa anunciou que a exigência de freezers de alcancem -70°C não é tão fundamental: o composto permanece estável entre -25°C e -15°C por um período de até duas semanas, o que já não é mais fora de realidade. Além disso, a empresa ressalta que, antes da diluição em solução salina, a vacina ainda pode ser guardada por até 5 dias em temperaturas entre 2° e 8°C, que é equivalente a uma geladeira comum.

Talvez mais importante tenha sido o anúncio de que a vacina não protegeu os imunizados apenas contra o desenvolvimento da doença; a maior parte também foi protegido contra a infecção, impedindo a replicação viral no organismo. Isso indica que o imunizante também pode reduzir a transmissão assintomática do vírus, encerrando cadeias de propagação.

O que ainda não se sabe é como a vacina responderá contra algumas das variantes preocupantes que circulam no Brasil e no mundo. A empresa já afirmou que o imunizante mantém eficácia contra a B.1.1.7, descoberta no Reino Unido. No entanto, testes com outras vacinas demonstraram que as demais cepas já demonstraram capacidade de fuga da resposta imune, como é o caso da cepa B.1.351, detectada na África do Sul e que contém mutações em comum com a P.1, que se tornou predominante no Amazonas e aos poucos se espalha para o Brasil.

Com informações do Olhar Digital

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