Seca atinge mais de 90% do território de Pernambuco

A seca atingiu 91% do território de Pernambuco em julho, segundo o Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), divulgado nesta quarta-feira (19). O percentual representa uma alta em relação aos 81% registrados em junho e foi o maior entre os nove estados do Nordeste no período.

Além do aumento da área afetada, a intensidade da seca também avançou. A parcela do território pernambucano classificada como de seca moderada, categoria mais severa identificada no estado pelo levantamento, passou de 69% para 77%. Bahia, Paraíba e Alagoas também registraram piora, mas Pernambuco apresentou a condição mais grave entre os estados nordestinos.

A situação dos reservatórios reforça o cenário de preocupação. Segundo boletim divulgado pela Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), a Barragem de Jucazinho, em Surubim, operava com apenas 3,88% da capacidade total e foi classificada em situação de colapso. O reservatório é responsável pelo abastecimento de 13 municípios do Agreste Setentrional.

Ainda de acordo com o boletim, Pernambuco tinha 22 reservatórios em situação de colapso, distribuídos por seis das 12 bacias hidrográficas monitoradas. A bacia do Pajeú concentrava sete desses mananciais, seguida pela bacia do Brígida, com seis. Cinco reservatórios estavam completamente sem volume: Parnamirim, Chapéu, Rancharia, Arrodeio e Abóboras.

O Governo de Pernambuco mantém situação de emergência em 75 municípios do Sertão e Agreste desde 30 de junho, em razão da estiagem e dos impactos sobre os reservatórios administrados pela Compesa. O decreto tem validade de 180 dias. O quadro também afeta a produção rural: dados citados no levantamento apontam retração de 0,3% na pecuária pernambucana em julho, enquanto o setor cresceu 2,1% no Nordeste.