A febre das canetas emagrecedoras no Brasil já cruzou a fronteira — de forma ilegal. O contrabando desses medicamentos vindos do Paraguai, vendidos sem receita e sem controle sanitário, virou um problema de saúde pública.
Negociadas no meio da rua, vendidas pela internet e oferecidas em propagandas improvisadas de laboratórios, as canetas aparecem até em anúncios com direito a dancinha. Em um flagrante em Porto Alegre, um vendedor afirmou que não precisa de receita médica e que compra, em média, de 40 a 60 caixas por vez.
Para driblar a fiscalização, quem negocia as canetas tenta burlar o controle de todas as formas possíveis: no estofamento de carros e ônibus, escondidas em fundos falsos e até dentro de pneus.
Os números comprovam o avanço do contrabando. Em 2024, a Receita Federal apreendeu 2.500 unidades. Já no ano passado, foram 30 mil canetas emagrecedoras, uma carga avaliada em mais de R$ 30 milhões.
Pesquisas indicam, no entanto, que apenas 5% de tudo o que entra ilegalmente no país é apreendido. A estimativa é que esse mercado movimente cerca de R$ 600 milhões.
A Anvisa informou, em nota, que medicamentos sem registro no Brasil não podem ser comercializados. A única hipótese de compra de um medicamento não aprovado no país é a importação excepcional por pessoa física, para tratamento da própria saúde e com prescrição médica.
Para as autoridades, o contrabando de canetas emagrecedoras já é considerado um problema de saúde pública.