Base pernambucana de Lula no Congresso mira atuação conjunta para avanço de pautas prioritárias

A composição do Congresso Nacional definida nas eleições gerais de 2026 apresentou um novo desafio ao quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Apesar da vitória expressiva nas urnas, o líder petista terá o desafio de lidar com uma oposição mais consolidada na Câmara dos Deputados e no Senado Federal e, como consequência, dependerá da articulação dos aliados nas Casas para avançar em pautas de maior interesse.

De acordo com o levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), na Câmara, Lula contará com uma base de apoio mais fiel composta por 124 deputados, enquanto 246 parlamentares têm uma postura mais ao centro e outros 143 estarão na oposição, sendo 121 apenas do Partido Liberal (PL), do candidato derrotado à presidência Flávio Bolsonaro (PL). Já no Senado, os cálculos são de 16 senadores de apoio consistente, 31 de apoio condicionado e outros 34 na oposição, sendo 28 do PL.

Em meio ao cenário complexo, o deputado federal reeleito Carlos Veras (PT), que coordenou a campanha eleitoral de Lula em Pernambuco, afirma que foi iniciada a consolidação de uma “frente democrática”, composta por 366 deputados e deputadas, que visa impedir retrocessos em direitos fundamentais conquistados. “[Vamos] fazer um bloco só com os partidos que defendem a democracia e o Estado Democrático de Direito, que respeitam o resultado das urnas, a vontade do povo”, disse em entrevista ao Diario de Pernambuco.

Já na Casa Alta, a articulação em busca de uma unidade ampla sob o guarda-chuva da democracia deve enfrentar maior resistência, na avaliação do senador Humberto Costa (PT). “Não é tão fácil no Senado construir uma alternativa como essa. A esquerda, que é o PT mais alguns partidos, deve chegar a uns 16 senadores. Vamos ter que ver dentro do Centrão, quantas pessoas a gente dispõe para poder articular uma frente como essa. Talvez não seja tão fácil como foi lá na Câmara”, disse ao Diario.